Comunidade Orkut – Protesto Proibição Fretado em SP

Abaixo o texto brilhante que, encontrei em uma comunidade do orkut, em um tópico “Kassab e Alexandre Moraes”.

Ilmo Senhores – esclarecimentos

A medida de restringir a área de circulação dos fretados na cidade de São Paulo é uma decisão tomada de cima para baixo, uma imposição arbitrária. De qualquer forma os usuários desse meio de transporte terão que se adequar a nova regra, de um jeito ou de outro, ok?

Só gostaria que vocês esclarecessem alguns pontos, que para mim, não estão ou não ficaram muito claros, pode ser porque o meu raciocínio não consiga acompanhar a velocidade e a inteligência do raciocínio de vocês. Vamos lá…

Para que essa medida fosse tomada, acredito que foram verificados e analisados os itens abaixo:

1) os usuários desse meio de transporte foram ouvidos? Se sim, qual foi o resultado da pesquisa?

2) consultaram as empresas de ônibus e associações envolvidas? Acredito que deva ter sido feito um estudo das implicações que essa medida irá causar, principalmente no que tange a funcionários das mesmas, ou seja, acarretará em desemprego ?

3) dentro da nova regra, o usuário de fretado terá duas alternativas, ir de carro para o trabalho ou passar a utilizar o transporte público (ônibus e metro) para completar o seu trajeto, certo ? Sendo assim, foi avaliado o aumento de veículos em circulação, piorando ainda mais o trânsito e a qualidade do ar na cidade de São Paulo ? E para os usuários que optarem por completar o trajeto até seu trabalho utilizando o transporte público, este tem condições de atender a essa demanda ? Pergunto por que, pelo que sei, não está conseguindo atender aos passageiros atuais, imagina se acrescentarmos os usuários dos fretados ?

4) pensaram que alguns desses usuários, poderão perder seu emprego ? Porque essa não é uma questão que envolve só alteração de trajeto mas também tem uma implicação direta nas alterações de horários de saída e chegada dos fretados.

5) será que os usuários habituais do transporte público têm a noção que os usuários de fretados irão disputar lugares com eles nos ônibus de linha convencional e no metro ?

6) porque os números que vocês divulgam na mídia estão aquém da realidade ?

Os senhores como políticos e profissionais qualificados, renomados, inteligentes, comprometidos, etc., etc., tenho certeza que me farão entender os motivos reais que os levaram a se empenharem tanto nesse assunto que envolve os fretados.

Será que não há outras áreas na cidade de São Paulo que mereceriam prioridade e a mesma atenção ? Por exemplo, saúde pública, os hospitais estão funcionando bem ? Estão atendendo as necessidades da população ? Não existe mais ninguém morrendo por falta de atendimento, certo ? E a questão da educação ? Como estão as escolas ? Todas as crianças em idade escolar estão frequentando a escola ? Os professores estão sendo mais bem preparados, passando por reciclagens e sendo remunerados adequadamente ? A questão da segurança pública, tudo funcionando em perfeita harmonia, policiais X população ? O cidadão paulistano pode sair na rua ou ficar dentro de casa com segurança, ok ?

Como já disse, a minha inteligência não chega à altura da de vocês, penso que as questões de saúde, educação e segurança, são mais prioritárias que as questões da qualidade do ar e do trânsito na cidade de São Paulo. Mas devo estar totalmente equivocada, porque se os senhores estão onde estão é porque sabem o que estão fazendo e tem competência para tanto, concordam ?

Obrigada e até a próxima eleição!
Mônica Nakaoka

Junte-se ao nosso protesto!

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2 Respostas para “Comunidade Orkut – Protesto Proibição Fretado em SP

  1. Boa tarde

    Em uma realidade espacial socialmente construída e profundamente disputada, as relações espaciais que expressam subordinação e dominação são normalmente mantidas através do consenso, face a necessidade de coexistência, especialmente entre os espaços urbanos e as periferias brasileiras, historicamente marginalizadas.

    Para contextualizar o conflito político entre o serviço de fretados e o Município de São Paulo, e refletir sobre as possíveis conseqüências que podem emergir a partir daí, venho abordar o apartheid sócio-territorial que se caracteriza na ação de proibição.

    A exclusão geográfica funciona como uma metáfora irrefutável de um sem-número de outros tipos de marginalização às quais as pessoas estão submetidas no Brasil – nas áreas de moradia, emprego, saúde, educação e representação política.

    A segregação territorial reflete uma disputa desigual em torno da apropriação das melhores combinações oferecidas pelas características físicas do território e pelas infra-estruturas urbanas que condicionam os fluxos de deslocamento para o trabalho, comércio e lazer.

    Situações de acentuada segregação territorial estão comumente relacionadas às dificuldades de acesso a equipamentos e serviços urbanos e infraestrutura precária ou inexistente na maioria das periferias brasileiras.

    Além das questões inerentes a características do território, a segregação territorial também mantém estruturas de oportunidades diferenciadas para cada grupo socioeconômico, o que tende a intensificar e reproduzir a exclusão social.

    A redução das oportunidades de emprego e de qualificação profissional, está diretamente relacionada a combinação entre exclusão e segregação, dificultando uma mobilidade social ascendente.

    Em suma, a segregação não é somente um reflexo da desigualdade socioeconômica do país, como também um mecanismo de agravamento e reprodução da mesma.

    Na dicotomia “Centro-Periferia” as características principais são: áreas habitadas distantes uma das outras, as classes médias e altas nos bairros do centro e as de menor rendimento em periferias, padrão espacial disperso ao invés de concentrado, e, o principal, um sistema de transporte baseado no uso de trem/ônibus para as classes trabalhadoras, que precisam enfrentar horas de viagem no percurso residência-trabalho, e automóveis para as classes média e alta.

    As transformações no mercado de trabalho são o motor das mudanças nas estruturas sócioespaciais, e com a dificuldade de acesso aos grandes centros, aonde o mercado de trabalho é mais ativo, estamos caminhando para um agravamento da situação de segregação.

    Embora o Município de São Paulo possa desempenhar um papel ativo na mitigação da segregação territorial, estabelecendo políticas públicas que o minimizem, ele está promovendo sua intensificação, por atuação direta através da proibição, via legislação.

    Envio este e-mail a todos os políticos, das cidades vizinhas ao Município de São Paulo e aos políticos que possuem sua base eleitoral nas periferias da cidade, e peço que intensifiquem seus esforços no sentido de fomentar a criação de pólos industriais ou comerciais, em suas regiões, e que assim possam oferecer uma grande quantidade de novas vagas e postos de trabalhos aos seus munícipes e eleitores que certamente serão afetados.

    É consenso comum, que, a partir de 27/07/2009, todos os empregadores da Cidade de São Paulo vão utilizar o item “local de residência” como um fator sine qua non para novas contratações, seja pela distância do local de trabalho, seja pelo valor que a empresa deverá desembolsar de vale transporte.

    Economicamente falando, fica inviável a contratação de funcionários que possam demorar de 2 a 3 horas para chegar ao local de trabalho ou de funcionários que utilizem ônibus intermunicipal e outro municipal perfazendo um total de R$ 387,20 por mês (tomei como exemplo um cidadão que mora no Ipiranga e trabalha em Barueri – o gasto por dia é de R$ 17,60 sendo R$ 2,55 metro + R$ 6,25 ônibus intermunicipal – 2X ida e volta).

    Ganhando um salário mínimo de R$ 465,00, e descontando por lei os 6% do salário a título de vale transporte, a empresa deverá reembolsar R$ 359,30. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que esta situação não será admitida pelas empresas.

    Mas perder faz parte. Perdemos esta batalha e acredito que vamos guerrear muito mais até que este estado de coisas seja alterado.

    Agradeço a todos que puderam, ou tentaram, ajudar a reverter a proibição aos fretados e reitero a solicitação de uma atenção especial aos milhares de desempregados que, direta ou indiretamente, serão afetados por esta decisão.

    Sucesso.

    “A sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime”
    Max Gehringer

    Vânia Hormigo de Souza Pessoa
    Brasileira, paulistana, eleitora, formadora de opinião e usuária de ônibus fretado e de ônibus urbano.

    • Seu texto mostra um outro cenário do problema que, não tinha sido até então abordado.
      Espero sinceramente a “pane geral” do sistema público de transporte de São Paulo na semana que vem. Desde modo as pessoas que não utilizam o serviço, terão noção de como esta situação irá prejudicá-los.

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