Quando é que vão entender?

Já ouvi que somos acomodados, baderneiros, arruaceiros, bebês chorões, folgados, egoístas entre outras coisas… O povo que fala esses absurdos não consegue entender é que a situação dos fretados hoje está sendo causada pelo prefeito e o seu respectivo secretário. As empresas de fretamento sérias seguem todas as regras impostas pela ARTESP, ANTT, EMBRATUR, e também da secretária de transporte público de SP. Tudo isso para oferecer um serviço de qualidade e respeito para seus usuários, sem a intenção de prejudicar outras pessoas.  

A prefeitura alega que os fretados fazem caminhos alternativos, param em qualquer lugar e não é bem assim! Ela sabe exatamente onde os fretados legalizados circulam, pois as empresas de fretamento precisam apresentar os itinerários na secretaria de transporte para poder circular. Existe até uma listagem com todos os dados dos passageiros do ônibus que utilizam o mesmo caso sejamos parados para uma fiscalização. Periodicamente, são feitas inspeções de emissão de gases e vistorias nestes veículos. Sem contar que, algumas empresas já utilizam biodiesel como alternativa para redução de poluentes. Agora será que podemos dizer o mesmo dos clandestinos que correspondem de 10% a 20% dos fretados de São Paulo?

Evidentemente, a CET tem total condição de fiscalizar e proibir a circulação dos fora-da-lei, já que para a operação da ZMRF, são alocados de 6 a 8 amarelinhos nos bolsões somente para fiscalizar o embarque e desembarque. Sem contar as dezenas de viaturas que fazem o apoio pelas avenidas e marginais. Será que com este trabalho de caçar os clandestinos o transito não melhoraria?

Proibir o acesso a certos pontos do centro expandido e deslocá-los para as marginais é simplesmente mudar o problema de lugar. O mais viável seria definir pontos exclusivos de parada nestas avenidas, evitando o embarque e desembarque em qualquer lugar. Definir também uma faixa exclusiva para circulação dos ônibus. Com certeza isso ajudaria e o impacto seria muito menor!

O que pagamos por esse serviço não é pouco! Para que as pessoas tenham uma idéia, o fretado gira em torno de R$280 a R$370 por mês, contra uns R$ 110 via transporte público. O que seria mais viável, se o transporte público fosse eficiente para todos? É uma questão de lógica, não de oportunismo!

 

O buraco é mais fundo do que parece…  Pensem nisso!

Junte-se ao nosso protesto!

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Uma resposta para “Quando é que vão entender?

  1. Segregação territorial… será?

    Manifesto

    Na literatura define-se Manifesto como um texto de natureza dissertativa e persuasiva, uma declaração pública de princípios e intenções. O manifesto destina-se a declarar um ponto de vista, denunciar um problema ou conclamar uma comunidade para uma determinada ação. Mais não. O meu manifesto não tem nenhuma pretensão além daquela a que me propus, que é escrever e desabafar minhas preocupações.

    O serviço de fretamento para transporte de passageiros surgiu no final da década de 50, no ABC paulista, fomentado pela forte industrialização da região. Com mais conforto e menos estresse, o transporte de passageiros por ônibus fretado fomenta a economia brasileira, movimentando R$ 3 bilhões por ano. Cada unidade tira 20 automóveis particulares das ruas, proporciona melhor qualidade de vida ao usuário, economiza tempo, diminui (isto mesmo) a poluição ambiental e ainda contribui com a elevação dos níveis de produtividade e assiduidade nas empresas e escolas.

    São Paulo possui um sistema de frota particular que opera em linhas de transportes públicos aonde se observa um déficit muito grande de eficiência e eficácia no transporte. Isto sinaliza um possível crescimento dos negócios, geração de renda, empregos e mais impostos.

    Para contextualizar o conflito político entre o serviço de fretados e o Município de São Paulo, e refletir sobre as possíveis conseqüências que podem emergir a partir daí, venho abordar o apartheid sócio-territorial que parece se caracterizar na ação de proibição.

    A exclusão geográfica funciona como uma metáfora irrefutável de um sem-número de outros tipos de marginalização às quais as pessoas estão submetidas no Brasil – nas áreas de moradia, emprego, saúde, educação e representação política. A segregação territorial reflete uma disputa desigual em torno da apropriação das melhores combinações oferecidas pelas características físicas do território e pelas infra-estruturas urbanas que condicionam os fluxos de deslocamento para o trabalho, comércio e lazer.

    Situações de acentuada segregação territorial estão comumente relacionadas às dificuldades de acesso a equipamentos e serviços urbanos e infraestrutura precária ou inexistente na maioria das periferias brasileiras. Além das questões inerentes a características do território, a segregação territorial também mantém estruturas de oportunidades diferenciadas para cada grupo socioeconômico, o que tende a intensificar e reproduzir a exclusão social.

    A redução das oportunidades de emprego e de qualificação profissional, está diretamente relacionada a combinação entre exclusão e segregação, dificultando uma mobilidade social ascendente.

    Em suma, a segregação não é somente um reflexo da desigualdade socioeconômica do país, como também um mecanismo de agravamento e reprodução da mesma.

    Na dicotomia “Centro-Periferia” as características principais são: áreas habitadas distantes uma das outras, as classes médias e altas nos bairros do centro e as de menor rendimento em periferias, padrão espacial disperso ao invés de concentrado, e, o principal, um sistema de transporte baseado no uso de trem/ônibus para as classes trabalhadoras, que precisam enfrentar horas de viagem no percurso residência-trabalho, e automóveis para as classes média e alta.

    Com a dificuldade de acesso aos grandes centros, aonde o mercado de trabalho é mais ativo, estamos caminhando para um agravamento da situação de segregação e, embora o Município de São Paulo possa desempenhar um papel ativo na mitigação da segregação territorial, estabelecendo políticas públicas que o minimizem, com a proibição de circulação de ônibus fretado está caminhando na direção oposta no que diz respeito a oferecer um transporte urbano de qualidade. Ele está promovendo sua intensificação, por atuação direta através da proibição, via legislação.

    Aproveito também para alertar a todos os políticos, das cidades vizinhas ao Município de São Paulo e aos políticos que possuem sua base eleitoral nas periferias da cidade, que intensifiquem seus esforços no sentido de fomentar a criação de pólos industriais e comerciais, em suas regiões, e que assim possam oferecer uma grande quantidade de novas vagas e postos de trabalhos aos seus munícipes e eleitores que, certamente, serão afetados.

    É consenso comum, que, a partir de 27/07/2009, todos os empregadores da Cidade de São Paulo vão utilizar o item “local de residência” como um fator sine qua non para novas contratações, seja pela distância do local de residência, seja pelo valor que a empresa deverá desembolsar de vale transporte.

    Economicamente falando fica inviável a contratação de funcionários que possam demorar de 2 a 3 horas para chegar ao local de trabalho, ou de funcionários que terão que utilizar vários ônibus (intermunicipal e municipal) perfazendo um total de R$ 387,20 por mês (tomei como exemplo um cidadão que mora no Ipiranga e trabalha em Barueri – o gasto por dia é de R$ 17,60 sendo R$ 2,55 metro + R$ 6,25 ônibus intermunicipal – 2X ida e volta).

    Não se trata de estabelecer condenação prévia, pois o nosso regime democrático pressupõe a garantia do mais absoluto e pleno direito de defesa, válido a qualquer cidadão, porém a reação dos responsáveis da administração dos transportes da Cidade de São Paulo com os usuários do fretado é: a culpa é dos revoltados.

    Esta situação toda não é normal e me indigno com este estado de coisas. Não posso achar que “viver em grandes cidades é assim mesmo”, pois muitas cidades do mundo já têm soluções que privilegiam a qualidade de vida para todos. Estou certa de que existe outras maneiras de regulamentar e adequar o transporte no município propiciando uma coexistência pacífica entre os envolvidos.

    E para que isto ocorra uso todas as ferramentas possíveis para tentar reverter uma ação que considero arbitrária.

    Para refleção:

    “NÃO IMPORTA…

    Primeiro levaram os negros
    Mas não me importei com isso.
    Eu não era negro

    Em seguida levaram alguns operários.
    Mas não me importei com isso.
    Eu também não era operário

    Depois prenderam os miseráveis.
    Mas não me importei com isso.
    Porque eu não sou miserável

    Depois agarraram uns desempregados
    Mas como tenho meu emprego
    Também não me importei

    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.”

    Bertold Brecht

    Sucesso

    Vânia Pessoa
    Brasileira, paulistana, eleitora, formadora de opinião e usuária de ônibus fretado e de ônibus urbano.

    E.T. A única conclusão que eu chego, depois desta bagunça toda, é que existem dois nomes que eu, minha família, meus colegas de trabalho, meus colegas de faculdade e meus colegas de condução nunca vamos nos esquecer: Gilberto Kassab e Alexandre de Moraes…

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