Maquiagem é tudo!

Extreme MakeoverAlexandre de Moraes, nosso queridíssimo secretário de transportes de SP, provavelmente é fã do EXTREME MAKEOVER! Veja como maquiar uma situação e torná-la realmente melhor do que é:

No primeiro dia de restrição, os dados apresentados a Secretaria dos Transportes divulgou queda de 70% na média de congestionamentos na manhã de terça-feira; porém a redução real foi de 30%, segundo reportagem de Evandro Spinelli e Alencar Izidoro (Folha de S. Paulo) em 30/07/09.
O balanço oficial considerou, para efeito de cálculo do impacto das medidas no período da manhã, um intervalo de apenas uma hora e meia -das 7h às 8h30.
A CET sempre usou a variação das 7h às 10h como a hora de pico da manhã. E os índices de lentidão começam a subir justamente a partir das 8h30.
Em comparação a um tratamento de beleza isso é apenas uma limpeza de pele.

Em seguida, Kassab e seu braço direito vão a público pelo menos, umas duas vez por semana, para abafar o caso e tranquilizar os não usuários dizendo que está tudo bem.
Começando a passar a base!!!

Começam os protestos, manifestações e passeatas, como já era de se esperar. Como um “mestre dos pincéis” ele pinta um situação, colocando os fretantes como bandidos clandestinos perante a mídia. Se não temos direito de ir e vir, não temos direito de reclamar também? Pois é, não temos! Um blushizinho na bochecha!

Logo depois vem as manobras de tráfego feitas hoje pela CET e SPTrans nos bolsões e antes dos bolsões. Na Estação Cidade Jardim, por exemplo, uma, das duas vias antes da ponte da Cidade Jardim, é bloqueada com a finalidade de segurar o trânsito, fazendo com que os fretados passem mais espaçados uns dos outros. Desse jeito, ocorrem poucas filas de ônibus no bolsão, mas há que custo? O não-usuário tem que enfrentar uma lentidão de 20 minutos naquele trecho!!!
Imaginem quanto não tiverem os amarelinhos e marronzinhos alí…
Sombrinha nos olhos!

Para finalizando a “make-up”!
É impressionante como a máquina pública trabalha rápido! Fiquei besta!
No dia 31 a Justiça de São Paulo autorizou a circulação dos ônibus fretados na capital para as empresas de transporte associadas a sete sindicatos que entraram com uma medida cautelar contra o Município de São Paulo. A ação proposta pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento e para Turismo de São Paulo foi deferida na 9ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, pela juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti.

No mesmo dia… O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o desembargador Roberto Antônio Vallim Bellocchi, cassou a liminar concedida!!!!

Se a justiça funcionasse dessa maneira para coisas mais relevantes imagine que paraíso seria São Paulo!
Ditadura? Não! Só o batonzinho que faltava…

Enfim devo reconhecer que o “mestre da maquiagem” é impressionante. Porém, vale lembrar que, quando lavamos o rosto toda beleza se vai junto com a água, e tudo acaba dando no esgoto.
Vamos ver se esta maquiagem é a prova d’agua quando voltarem as aulas!!!

 Antes

 Depois

Junte-se ao nosso protesto!

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6 Respostas para “Maquiagem é tudo!

  1. AHHAHAHAH adorei o post, muito bommm AHHAHAHAH
    Vc esqueceu de dizer que o Kassab teve a infeliz idéia de tirar os nossos fretados e colocar nos bolsões, ônibus da prefeitura, quer dizer, fez 6 por meia dúzia. ¬¬’

    Eles estão todos atrapalhados, acho que não tinham noção das coisas, não é possível…
    Não sei como está a situação onde vc pega, mas ali no metrô imigrantes parece que tá normalizada, só fico preocupada com os dias de chuva, mas não garoa, chuva MESMO.
    Temos uns 10 minutos pra embarcar, e com a chuva, a estação vai ficar SUPER abarrotada, e quero ver como o povo vai pegar o fretado…
    Ainda sou a favor deles liberarem pelo menos 3 pontos na Av. paulista.. se na Berrini pode, porque não na Paulista?? Não entendo.

    • Realmente a situação acaba se normalizando por conta das pessoas que deixam de ir de fretado para ir de carro… Infelizmente estes perdem a guerra, sem mesmo lutar ! Ideal é uma coisa que hoje em dia esta fora de moda.

  2. Esperança Coletiva

    Na literatura define-se Manifesto como um texto de natureza dissertativa e persuasiva, uma declaração pública de princípios e intenções. O manifesto destina-se a declarar um ponto de vista, denunciar um problema ou conclamar uma comunidade para uma determinada ação. Mais não. O meu manifesto não tem nenhuma pretensão além daquela a que me propus, que é escrever e desabafar minhas preocupações.

    O serviço de fretamento para transporte de passageiros surgiu no final da década de 50, no ABC paulista, fomentado pela forte industrialização da região. Com mais conforto e menos estresse, o transporte de passageiros por ônibus fretado fomenta a economia brasileira, movimentando R$ 3 bilhões por ano. Cada unidade tira 20 automóveis particulares das ruas, proporciona melhor qualidade de vida ao usuário, economiza tempo, diminui (isto mesmo) a poluição ambiental e ainda contribui com a elevação dos níveis de produtividade e assiduidade nas empresas e escolas.

    São Paulo possui um sistema de frota particular que opera em linhas de transportes públicos aonde se observa um déficit muito grande de eficiência e eficácia no transporte. Isto sinaliza um possível crescimento dos negócios, geração de renda, empregos e mais impostos.

    Para contextualizar o conflito político entre o serviço de fretados e o Município de São Paulo, e refletir sobre as possíveis conseqüências que podem emergir a partir daí, venho abordar o apartheid sócio-territorial que parece se caracterizar na ação de proibição.

    A exclusão geográfica funciona como uma metáfora irrefutável de um sem-número de outros tipos de marginalização às quais as pessoas estão submetidas no Brasil – nas áreas de moradia, emprego, saúde, educação e representação política. A segregação territorial reflete uma disputa desigual em torno da apropriação das melhores combinações oferecidas pelas características físicas do território e pelas infra-estruturas urbanas que condicionam os fluxos de deslocamento para o trabalho, comércio e lazer.

    Situações de acentuada segregação territorial estão comumente relacionadas às dificuldades de acesso a equipamentos e serviços urbanos e infraestrutura precária ou inexistente na maioria das periferias brasileiras. Além das questões inerentes a características do território, a segregação territorial também mantém estruturas de oportunidades diferenciadas para cada grupo socioeconômico, o que tende a intensificar e reproduzir a exclusão social.

    A redução das oportunidades de emprego e de qualificação profissional, está diretamente relacionada a combinação entre exclusão e segregação, dificultando uma mobilidade social ascendente.

    Em suma, a segregação não é somente um reflexo da desigualdade socioeconômica do país, como também um mecanismo de agravamento e reprodução da mesma.

    Na dicotomia “Centro-Periferia” as características principais são: áreas habitadas distantes uma das outras, as classes médias e altas nos bairros do centro e as de menor rendimento em periferias, padrão espacial disperso ao invés de concentrado, e, o principal, um sistema de transporte baseado no uso de trem/ônibus para as classes trabalhadoras, que precisam enfrentar horas de viagem no percurso residência-trabalho, e automóveis para as classes média e alta.

    Com a dificuldade de acesso aos grandes centros, aonde o mercado de trabalho é mais ativo, estamos caminhando para um agravamento da situação de segregação e, embora o Município de São Paulo possa desempenhar um papel ativo na mitigação da segregação territorial, estabelecendo políticas públicas que o minimizem, com a proibição de circulação de ônibus fretado está caminhando na direção oposta no que diz respeito a oferecer um transporte urbano de qualidade. Ele está promovendo sua intensificação, por atuação direta através da proibição, via legislação.

    Aproveito também para alertar a todos os políticos, das cidades vizinhas ao Município de São Paulo e aos políticos que possuem sua base eleitoral nas periferias da cidade, que intensifiquem seus esforços no sentido de fomentar a criação de pólos industriais e comerciais, em suas regiões, e que assim possam oferecer uma grande quantidade de novas vagas e postos de trabalhos aos seus munícipes e eleitores que, certamente, serão afetados.

    É consenso comum, que, a partir de 27/07/2009, todos os empregadores da Cidade de São Paulo vão utilizar o item “local de residência” como um fator sine qua non para novas contratações, seja pela distância do local de residência, seja pelo valor que a empresa deverá desembolsar de vale transporte.

    Economicamente falando fica inviável a contratação de funcionários que possam demorar de 2 a 3 horas para chegar ao local de trabalho, ou de funcionários que terão que utilizar vários ônibus (intermunicipal e municipal) e metrô.

    Não se trata de estabelecer condenação prévia, pois o nosso regime democrático pressupõe a garantia do mais absoluto e pleno direito de defesa, válido a qualquer cidadão, porém a reação dos responsáveis da administração dos transportes da Cidade de São Paulo com os usuários do fretado é: a culpa é dos revoltados.

    Esta situação toda não é normal e me indigno com este estado de coisas. Não posso achar que “viver em grandes cidades é assim mesmo”, pois muitas cidades do mundo já têm soluções que privilegiam a qualidade de vida para todos. Estou certa de que existe outras maneiras de regulamentar e adequar o transporte no município propiciando uma coexistência pacífica entre os envolvidos.

    E para que isto ocorra uso todas as ferramentas possíveis para tentar reverter uma ação que considero arbitrária.

    Para reflexão:

    “NÃO IMPORTA…

    Primeiro levaram os negros
    Mas não me importei com isso.
    Eu não era negro

    Em seguida levaram alguns operários.
    Mas não me importei com isso.
    Eu também não era operário

    Depois prenderam os miseráveis.
    Mas não me importei com isso.
    Porque eu não sou miserável

    Depois agarraram uns desempregados
    Mas como tenho meu emprego
    Também não me importei

    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.”

    Bertold Brecht

    Sucesso

    Vânia Pessoa
    Brasileira, paulistana, eleitora, formadora de opinião e usuária de ônibus fretado e de ônibus urbano.

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