20 Medidas Maquiavélicas utilizadas na ditadura dos fretados

Por: Magda Celeste

A forma de conduzir a criação da portaria de restrição aos fretados em São Paulo não poderia ser mais maquiavélica. Mostra que a cúpula da Secretaria de Transportes usou a inteligência e as circunstâncias para dominar a situação e impor as medidas. Senão vejamos:

1-Embutiu a questão da regulamentação do fretado dentro de uma lei de ambiental, a qual a câmara de vereadores não poderia reprovar.

2- Conseguiu um “cheque em branco” da câmara de vereadores para poder regulamentar os fretados sem um projeto de lei (através de portarias).

3- Fez a aprovação da lei ambiental no apagar das luzes da sessão legislativa.

4- Iniciou as mudanças no período de férias para dar a falsa ilusão de que não haveria impacto para o trânsito.

5- Poderia ter esperado a implementação das obras do metrô para depois regulamentar os fretados.

6- Beneficiou os cofres da Prefeitura trazendo para o sistema público de transporte milhares de usuários adicionais (lotando ainda mais os metrôs).

7- Utilizou usuários de coletivos privados para financiar o rombo gigantesco de manter as passagens de ônibus sem aumento em 2009 (promessa de campanha).

8- Usou de falácias / factóides para dizer que a medida reduziria a poluição. As medidas aumentam o número de automóveis nas ruas, aumentam o trajeto dos fretados, que ainda vão continuar circulando (fora da área de restrição), e ainda coloca 106 ônibus a mais entre os pontos de contato e as áreas restritas. Além do mais a cidade é grande e a poluição se dispersa. Não adianta deixar os fretados fora de uma faixa de 70 km quadrados pois a poluição vai continuar sendo gerada da mesma forma.

9- Jogou os usuários de transporte público contra os usuários de fretados (sistema privado) afirmando que os fretados é quem bagunçam e prejudicam o transporte público.

10- Aproveitou o momento de aumento de pedágios entre a região de Campinas e São Paulo na certeza que muitos usuários de fretados que têm automóveis não poderiam arcar com despesas adicionais com o pedágio.

11- Aproveitou o fato de que o custo de estacionamento nas regiões de trabalho atingidas são altissímos. Estes custos desestimulariam os usuários de fretados a virem de carro.

12- Na região da Berrini eliminou vagas de estacionamento livres e criou outras de zona azul (onde o motorista paga para deixar o carro na rua). Desta forma desestimula o uso dos automóveis para boa parte dos usuários. No final apenas os usuários mais abonados podem usar os automóveis próprios e a prefeituda ainda enche o cofre cobrando pelo uso das vagas.

13- Aproveitou o fato das empresas de fretados terem uma competição grande e pouca união para defender interesses comuns.

14- Combate os efeitos e sintomas mas não a causa do problema. A causa verdadeira é a densidade de escritórios de empresas em regiões limitadas. Esta densidade é fruto da própria ganância da prefeitura em permitir o crescimento imobiliário acima de limites aceitáveis para a infraestrutura existentes. A Prefeitura ganha rios de dinheiro com a arrecadação de IPTU e venda de potencial construtivo para as empresas. Trata-se de uma forma de burlar o plano diretor da cidade, permitindo as construtoras fazeram novos prédios em áreas que não tem possibilidade de crescimento. Trata-se de uma forma de enriquecer a Prefeitura às custas da degradação da qualidade de vida na cidade.

15- Estimula o uso indiscriminado de carros particulares em detrimento do transporte coletivo em regiões que já registram altos índices de congestionamento, transmitindo uma dupla mensagem subliminar e xenófoba: o trabalho em regiões mais abastadas da cidade não pode ser exercido por moradores de periferias ou de outras cidades; e o aumento nos congestionamentos que fatalmente acontecerão após a volta às aulas, será justificado por essas áreas já apresentarem congestionamento, não permitindo a avaliação dos órgãos públicos se o congestionamento se deve aos usuários de fretados que passaram a usar carros ou não.

16- Coloca no mesmo prato da balança fatores tão díspares como os outdoors, as cargas de caminhões e os passageiros de fretados, dando a falsa sensação de que todos os três são “coisas inanimadas” e nivelando trabalhadores e estudantes, que usam fretados, necessitam cumprir horários e já possuem suas vidas e orçamentos organizados, a meras “coisas” que somente atrapalham o trânsito, como se eles não necessitassem estar ali de modo algum, como se o uso dos fretados fosse mero capricho.

17- Jogando os quase “7 milhões de usuários de transporte público” contra “50 mil usuários de fretados”, passa a falsa sensação de que o problema que esses “apenas” 50 mil usuários causam é gigantesco e sua importância para a cidade é mínima ou nula, passando a mensagem para a população de que “como podem tão poucas pessoas, que não servem para nada, causarem tanto transtorno”?

18- No programa Roda Viva, que foi ao ar pela TV Cultura anteontem (03/08/09 – edição já disponível na internet) o secretário de Transportes esquivou-se a responder sobre a competência da prefeitura em fiscalizar os 300 mil motoboys de São Paulo, bem como expôs a leniência da prefeitura quanto à fiscalização do transporte clandestino, nivelando todos os 11 mil ônibus fretados, 600 mil passageiros, à clandestinidade e ilegalidade, como se todos os ônibus fretados fossem irregulares e cometessem infrações de trânsito. Não lhe foi questionado o porquê de haver 125 mil multas aos ônibus públicos da Capital, que cometem tantas ou mais infrações de trânsito. Também não houve questionamento se essas 125 mil multas de 2008 foram pagas.

19- Quando questionado sobre a pior avaliação do transporte público da década (apenas 40% dos passageiros se dizem satisfeitos com ônibus, metrô e trem em SP), o secretário respondeu que no ano passado foi a melhor avaliação da década nos corredores de ônibus. Ora, São Paulo tem apenas 9 corredores de ônibus.

20- Quando perguntado sobre o estímulo ao uso do carro, uma vez que ele próprio usa carro para trabalhar e se locomover, ele respondeu “eu posso trabalhar de carro oficial e mereço isso. Eu uso meu carro por exigência do meu ofício. Seria hipocrisia eu dizer que uso transporte público hoje.”

Junte-se ao nosso protesto!

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